A adaptação da trajetória do DBA
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Ei, quanto tempo… Ando bem sumido.
Hoje resolvi aparecer para escrever um pouco sobre a adaptação e as minhas percepções de mercado em relação à carreira de DBA. Atuo na área de dados há aproximadamente 7 anos e, literalmente, subi a escadinha que muitos já percorreram: júnior, pleno, sênior, até chegar a especialista em banco de dados.
Antes disso, tecnicamente falando, já percorri várias áreas de TI: monitoramento, análise de processos, análise de negócio, programação, suporte Linux, até chegar a banco de dados.
Particularmente, tenho a sensação de que muitos(as) enxergam o especialista como uma referência em um determinado nicho ou produto: “SQL Server, AWS, etc.”. E concordo. Acredito que, até um tempo atrás, isso era quase uma regra.
Acontece que, no meu entendimento, o mercado vem mudando bastante ao longo do tempo, e o especialista que antes era enxergado como a referência de uma determinada solução hoje passa a ser alguém mais generalista, alguém que sabe conduzir bem vários nichos para conseguir desenvolver soluções integradas.
Eu costumo levar sempre comigo que o conhecimento técnico é passível de ser aprendido, seja lendo documentações, assistindo a vídeos, fazendo cursos etc. Entretanto, o jogo de cintura, a proximidade com outras ferramentas, a forma de conduzir um problema e encontrar soluções mais baratas e eficientes contribuem muito mais para o conceito de especialista.
Tendo isso em mente, às vezes me pego refletindo: será que ainda temos um espaço tão grande para aquele profissional que é especialista somente em SQL Server, especialista em PostgreSQL, etc.?
Será que o mercado ainda tem espaço para esses perfis?
Na minha concepção, sim. Contudo, tenho sentido que isso já não é tão crucial quanto antes.
A carreira de DBA tem passado por uma adaptação crescente no mercado, e o DBA que cuidava dos backups, das queries lentas e da alta disponibilidade hoje precisa entregar algo a mais.
Precisa ter um forte poder de negociação, um entendimento razoável dos processos, um bom conhecimento técnico, estar acostumado a aprender novas soluções constantemente e ter uma boa comunicação.
É importante entender novas soluções de observabilidade (Datadog, SolarWinds, New Relic, Zabbix), entender a importância de, tecnicamente, conhecer pelo menos dois tipos de cloud (AWS, Azure, Google Cloud), ter o básico de uma linguagem de programação, entender FinOps… Automação se tornou indispensável.
Ufa… Falei toda a parte técnica. E a outra parte?
Entender a necessidade do negócio para acompanhar a parte técnica, compreender os processos, auditoria, participar de inúmeras reuniões, negociar prioridades, explicar riscos, alinhar expectativas etc.
EEEEEE bum… Como em um passe de mágica, chega o DBRE. Um profissional versátil, fora da caixinha e adaptado ao mercado.
Finalmente, o DevOps também chegou ao jogo: Terraform, pipelines… O futuro chegou: infraestrutura como código.
O DBA se adaptou e ganhou hard skills, mas, principalmente, soft skills.
Lembra que eu comentei que “costumo levar sempre comigo que o técnico é passível de aprender” com algum esforço? Mas e o soft skill? Comunicação, liderança, trabalho em equipe, negociação, organização, gestão de conflitos…
A essência técnica do negócio não vai morrer, ouço que o DBA vai deixar de existir a 7 anos, desde quando consegui entrar na área de dados… Porém, o que enxergo é mais uma adaptação necessária do DBA para um DBRE, caso contrário, aos poucos vai perder espaço.
Faz sentido? Acho que só o tempo vai dizer.
Vocês já visualizam essa dificuldade?
Vamos ver!

